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Achei que era apenas uma forte dor de garganta, mas era um problema na tireoide? Sinceramente, no começo eu também não acreditei.
Um dia, acordei com a parte da frente do pescoço tão inchada que até engolir saliva gerava muito desconforto, então busquei o atendimento de um otorrinolaringologista.
Mas, após fazer um ultrassom, o médico avaliou: “Parece ser Tireoidite Subaguda”. Tireoide? Eu achei que não tinha a menor chance de ter um problema na tireoide, mas só consegui entender a situação quando vi os resultados dos meus exames de sangue.
Aquela febre e o cansaço intenso que eu sentia indicavam que não se tratava de um simples resfriado.
Dor que vai até o ouvido: Sintomas que eu não esperava
O sintoma mais marcante da Tireoidite Subaguda costuma ser a dor e o inchaço na região anterior do pescoço.
No meu caso, começou doendo apenas de um lado e, com o passar dos dias, a dor se espalhou para o lado oposto. Era uma dor à palpação (sensibilidade dolorosa) que latejava com frequência.
Além disso, eu sentia repuxar até debaixo da orelha, o que me fez pensar inicialmente que o problema fosse na articulação da mandíbula (ATM).
A dor à palpação significa que a região fica sensível ao toque. Pacientes com tireoidite subaguda costumam relatar um desconforto agudo mesmo com um toque muito leve na região da tireoide.
Lembro que, durante o ultrassom, eu sentia bastante incômodo só de o aparelho (probe) encostar no meu pescoço. (Fonte: Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – SBEM)
O que mais me chamou a atenção foi a mudança nos meus exames hormonais. Como as células da tireoide estavam inflamadas, os hormônios armazenados foram liberados na corrente sanguínea de forma mais abrupta.
Isso me deixou em um estado de Hipertireoidismo temporário. Meu coração acelerava (palpitações), eu suava bastante e me sentia mais irritado que o normal. Meu peso também apresentou uma leve queda em poucas semanas.
Nos exames de sangue, os níveis de VHS (Velocidade de Hemossedimentação) e PCR (Proteína C Reativa) apresentaram-se elevados em relação ao normal.
O VHS é um exame que mede a rapidez com que os glóbulos vermelhos caem, e seus valores sobem quando há inflamação no corpo. O PCR também é um indicador importante de reação inflamatória.
No meu caso, o VHS estava em 60 mm/h (o normal costuma ser abaixo de 20) e o PCR estava em 5,2 mg/dL (o normal é abaixo de 0,5), indicando que o quadro inflamatório estava bastante ativo.
Resumindo, os principais sintomas foram:
- Desconforto marcante e sensibilidade na frente do pescoço.
- Dor irradiada que chegava até a orelha e o maxilar.
- Febre e sensação de fadiga geral.
- Hipertireoidismo temporário (coração acelerado, suor, perda de peso).
- Transição posterior para Hipotireoidismo (letargia, cansaço acentuado e frio).
Anti-inflamatórios, corticoides e a fase da espera
O tratamento parecia focado, mas o processo exigiu paciência. O médico inicialmente prescreveu AINEs (Anti-inflamatórios Não Esteroides).
Eles são remédios como o ibuprofeno, frequentemente usados para auxiliar na redução da inflamação e da dor. Eles costumam ter menos efeitos colaterais por não serem esteroides.
Mas, no meu caso, como o desconforto era bastante severo, acabei precisando iniciar o tratamento com corticoides (esteroides) sob orientação médica.
Depois de começar a medicação, a dor apresentou uma redução considerável. Em poucos dias, já conseguia movimentar o pescoço com mais facilidade e, em uma semana, senti melhora suficiente para retomar parte da rotina.
Porém, durante o “desmame” (redução gradual da dose) do remédio, o desconforto tendeu a voltar. O médico orientou: “Se parar o corticoide de forma brusca, a inflamação pode retornar, então precisamos reduzir lentamente”.
Acabei tomando corticoides por cerca de 6 semanas, diminuindo a dose aos pouquinhos. (Fonte: Ministério da Saúde)
Os meus níveis de hormônio da tireoide pareciam oscilar bastante. No início, meu TSH (Hormônio Estimulante da Tireoide) estava suprimido e os hormônios T3 e T4 estavam elevados.
O TSH é um hormônio produzido pela glândula pituitária no cérebro para estimular a tireoide, sendo o principal marcador de função tireoidiana.
Semanas depois, aconteceu o oposto: o TSH subiu e o T3/T4 diminuíram, me colocando em um estado de Hipotireoidismo temporário.
Nessa fase, o cansaço era bastante presente e eu ficava esgotado com facilidade. Minha regulação de temperatura oscilava e minhas mãos e pés estavam frequentemente gelados.
Felizmente, após alguns meses, a função da minha tireoide pareceu se estabilizar. O médico me explicou que “a maioria dos casos de tireoidite subaguda tende a se resolver ao longo dos meses”, mas alertou que uma pequena parcela das pessoas pode necessitar de acompanhamento para hipotireoidismo a longo prazo.
Eu tive uma boa recuperação clínica, mas foram meses de acompanhamento cuidadoso. E há um detalhe clínico importante que não posso deixar de fora.
Quando o ultrassom mostra um nódulo hipoecoico (uma mancha escura) na tireoide, pode sugerir tireoidite subaguda, mas geralmente os médicos investigam mais a fundo para afastar outras possibilidades.
Na verdade, meu médico sugeriu: “Vamos fazer uma PAAF para ter mais segurança diagnóstica”.
A PAAF (Punção Aspirativa por Agulha Fina) é um exame onde se usa uma agulha bem fina para coletar células da glândula e avaliar no microscópio. Para meu alívio, o resultado indicou apenas características inflamatórias, me deixando muito mais tranquilo.
Considerações finais
Em resumo, a Tireoidite Subaguda é uma condição que frequentemente apresenta melhora progressiva com o acompanhamento adequado, mas o processo exige paciência.
Você precisa lidar com o gerenciamento do desconforto, as oscilações físicas causadas pelos hormônios e a realização de exames para buscar um diagnóstico seguro. É fundamental manter o acompanhamento passo a passo com seu endocrinologista.
Tentar se automedicar ou começar a tomar hormônios da tireoide por conta própria pode interferir na resposta natural do seu corpo. Portanto, siga sempre as orientações de um especialista.
Vale lembrar que este texto compartilha apenas o meu relato e a minha experiência pessoal, não substituindo, de forma alguma, o aconselhamento ou diagnóstico médico profissional. Se você apresentar sintomas semelhantes, não deixe de ir a uma clínica ou hospital e consultar um médico de sua confiança.
Referências e Fontes de Autoridade
- Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) O que é: É a instituição médica oficial e de maior autoridade no Brasil no diagnóstico e tratamento de distúrbios hormonais e doenças da tireoide. O site fornece artigos científicos e diretrizes para o público sobre como diferenciar os sintomas da Tireoidite Subaguda de simples inflamações na garganta, além de explicar os protocolos de uso de corticoides e as flutuações entre hiper e hipotireoidismo.
- Ministério da Saúde (MS) O que é: Órgão do governo federal responsável por coordenar o Sistema Único de Saúde (SUS) e as políticas públicas de saúde no Brasil. Disponibiliza acesso a informações confiáveis sobre exames de sangue (como VHS e PCR) e protocolos de diagnóstico (como a PAAF) em casos de suspeita de alterações tireoidianas.
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