O ronco não é só um barulho: O que o seu corpo está tentando te dizer

Um casal brasileiro de 30 anos na cama, com o marido dormindo de lado e roncando, enquanto a esposa, ao seu lado, cobre os ouvidos com uma expressão de frustração devido ao ruído intenso durante a noite.

Escrito por

em

Aviso: Este conteúdo é exclusivamente para fins educativos e não substitui o diagnóstico ou tratamento médico profissional. Para mais informações, leia nosso Aviso Legal.

Se você acha que roncar é apenas um “hábito inofensivo de sono”, saiba que eu também pensava assim.

Quando minha família reclamava que eu era “muito barulhento dormindo”, eu apenas dava risada e ignorava.

No entanto, quando comecei a acordar todos os dias com a cabeça pesada e a ter episódios de sonolência no meio de reuniões de trabalho, percebi que o quadro exigia atenção.

O ronco, muitas vezes, não é apenas um incômodo sonoro; ele pode atuar como um sinal de alerta sobre a qualidade da sua respiração e saúde.

Afinal, por que o ronco acontece?

O ronco é o som produzido pela vibração dos tecidos ao redor das vias aéreas quando elas sofrem um estreitamento durante o sono, dificultando a passagem do ar.

As possíveis causas geralmente se dividem em fatores estruturais e ambientais. Entre as causas estruturais, podem estar as vias aéreas naturalmente mais estreitas ou o queixo (mandíbula) retraído.

Quando a mucosa nasal incha e ocorre a obstrução, a respiração tende a acontecer pela boca, o que pode aumentar a resistência das vias aéreas e agravar o ruído.

No aspecto ambiental, o consumo de álcool costuma ter um impacto significativo. O álcool promove um relaxamento maior dos músculos ao redor da faringe, facilitando o fechamento das vias aéreas durante o repouso.

Na minha própria experiência, familiares notavam que, nas noites após o consumo de bebida alcoólica, a intensidade do ronco parecia aumentar de forma perceptível.

Outro fator que merece atenção é a altura do travesseiro. Um travesseiro excessivamente alto pode forçar a coluna cervical (pescoço) para frente, contribuindo para a compressão física das vias aéreas.

Sinceramente, foi um detalhe que me surpreendeu, pois eu não imaginava o impacto de um simples travesseiro na dinâmica da respiração.

A linha tênue entre o Ronco e a Apneia do Sono

Muitas pessoas confundem o ronco com a Apneia Obstrutiva do Sono (AOS), acreditando que sejam a mesma condição.

A AOS ocorre quando as vias aéreas superiores sofrem bloqueios repetidos durante o sono, causando paradas temporárias na respiração.

O critério clínico costuma ser claro: se a respiração apresentar pausas superiores a 10 segundos, com uma frequência de 5 ou mais vezes por hora, o diagnóstico de apneia costuma ser considerado pelo especialista.

O que me motivou a buscar uma Polissonografia (exame do sono) foi o fato de começar a acordar sobressaltado, com a sensação de engasgo no meio da noite.

A polissonografia é um exame que monitora ondas cerebrais, saturação de oxigênio, padrões de respiração e movimentos musculares durante o sono para auxiliar no diagnóstico.

No meu caso, os resultados confirmaram a suspeita de apneia obstrutiva do sono.

O ponto de atenção é que as pausas na respiração costumam gerar a hipóxia (queda dos níveis de oxigênio no sangue), exigindo um esforço maior do coração e do cérebro.

Estudos apontam que a apneia do sono sem o devido acompanhamento pode elevar o risco de complicações, como hipertensão, alterações vasculares (AVC) e arritmias cardíacas.

Pacientes com apneia frequentemente apresentam uma taxa maior de comorbidades cardiovasculares. (Fonte: Associação Brasileira do Sono – ABS).

Tratamentos e Hábitos: Abordagens comumente recomendadas

Existem três caminhos principais que costumam ser avaliados para o tratamento:

  • Adaptações no estilo de vida: Controle de peso, prática de exercícios, moderação no álcool, ajustes na posição de dormir e higiene nasal.
  • Uso de dispositivos: Aparelhos intraorais (para auxiliar no posicionamento da mandíbula) ou o uso do CPAP.
  • Avaliação cirúrgica: Costuma ser considerada quando há uma alteração estrutural específica e os métodos conservadores não apresentam a resposta esperada.

O CPAP (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas) é um equipamento que fornece um fluxo de ar através de uma máscara, auxiliando a manter as vias aéreas abertas durante o sono.

Quando iniciei o uso, confesso que a adaptação exigiu paciência. A sensação do equipamento e o ruído inicial foram fatores aos quais precisei me acostumar.

Porém, com a persistência no uso, notei uma melhora gradual na minha disposição. Acordar sem aquela sensação de cansaço extremo e notar a redução da sonolência diurna trouxe um conforto perceptível à minha rotina.

Pela minha experiência, o acompanhamento clínico costuma trazer resultados muito positivos, mas é importante ter consciência de que o período de adaptação pode exigir disciplina.

As adaptações na rotina são medidas de suporte importantes. O controle de peso costuma ser uma das abordagens mais indicadas para a apneia associada ao sobrepeso, embora exija tempo e constância.

No dia a dia, tentar manter a umidade do quarto em níveis confortáveis (entre 40% e 60%) e realizar a higiene nasal com soro fisiológico podem auxiliar no alívio de sintomas de ressecamento.

Estima-se que cerca de 33% dos adultos no Brasil possam apresentar apneia obstrutiva do sono, muitas vezes mascarada apenas como um ronco comum, o que a torna um tema importante de saúde pública. (Fonte: Associação Brasileira do Sono / Ministério da Saúde).

Considerações Finais

Muitas pessoas que lidam com o ronco podem postergar a busca por uma avaliação clínica. Eu passei por essa fase.

Acreditar que ‘é apenas cansaço rotineiro’ pode ser um fator que atrasa o diagnóstico adequado.

Se você costuma despertar frequentemente durante a noite ou tem a sensação de falta de ar ao dormir, a realização de uma polissonografia costuma ser uma recomendação clínica importante.

Pode parecer um exame complexo, mas o diagnóstico correto pode ser uma etapa importante para buscar uma melhor qualidade de vida e auxiliar na prevenção de complicações futuras.

Referências e Fontes de Autoridade

  • Associação Brasileira do Sono (ABS) O que é a instituição: A entidade científica máxima no Brasil focada no estudo, pesquisa e tratamento dos distúrbios do sono. A ABS é responsável por fornecer diretrizes médicas oficiais sobre a Apneia Obstrutiva do Sono (AOS), uso do CPAP e alertar sobre os riscos cardiovasculares (como AVC e hipertensão) ligados à hipóxia durante o sono.
  • Ministério da Saúde (Governo do Brasil) O que é a instituição: O órgão do governo federal responsável pela organização e elaboração de políticas públicas de saúde. Juntamente com entidades médicas, fornece dados epidemiológicos relevantes sobre a prevalência de doenças respiratórias e distúrbios do sono na população brasileira adulta.

Você também pode gostar de

Aviso Legal e Isenção de Responsabilidade Médica

Este conteúdo é baseado na experiência pessoal do autor e é fornecido exclusivamente para fins informativos e educativos. Ele não tem a intenção de substituir, sob nenhuma hipótese, o conselho, diagnóstico ou tratamento médico profissional. Sempre busque a orientação do seu médico ou de outro profissional de saúde qualificado para esclarecer qualquer dúvida que possa ter em relação a uma condição médica. A confiança em qualquer informação fornecida neste post é de sua inteira e exclusiva responsabilidade.

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *