Psoríase não é apenas pele seca: Minha jornada e como controlo a doença

Foto em close-up do braço esquerdo exibindo os sintomas visíveis da psoríase, com placas avermelhadas e descamação na pele de forma nítida.

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Aviso: Este conteúdo é exclusivamente para fins educativos e não substitui o diagnóstico ou tratamento médico profissional. Para mais informações, leia nosso Aviso Legal.

Você sabia que 3 em cada 10 pacientes com psoríase acabam desenvolvendo artrite? Quando enfrentei a psoríase pela primeira vez, sinceramente, achei que fosse apenas um problema comum de pele ou um ressecamento passageiro.

Mas, com o passar do tempo, manchas vermelhas e camadas grossas de pele descamando começaram a aparecer repetidamente. O constrangimento de ver pedaços de pele caindo nas minhas roupas tornava cada vez mais difícil estar perto de outras pessoas.

A psoríase é uma doença autoimune crônica que afeta cerca de 1% a 3% da população mundial. Milhares de pessoas buscam ajuda médica todos os anos, mas sabemos que o número real de pacientes sofrendo em silêncio é muito maior.

A psoríase não é só um problema de pele; é uma doença sistêmica

A Psoríase (Psoriasis) ocorre devido a uma falha no sistema imunológico que causa inflamações severas na pele. Essa “falha” significa que as células T do nosso corpo, responsáveis pela defesa, atacam a pele saudável por engano, gerando uma resposta inflamatória exacerbada.

Quando fiz uma biópsia no dermatologista, o resultado mostrou que a minha epiderme estava mais de duas vezes mais espessa que o normal, completamente tomada por células inflamatórias.

Os sintomas clássicos incluem:

  • Lesões ou manchas vermelhas (eritema), muitas vezes do tamanho de moedas.
  • Placas espessas de pele com descamação branca ou prateada.
  • Pele que se torna rígida, seca e com rachaduras.
  • Coceira intensa (vivida por mais de 80% dos pacientes).

Curiosamente, os sintomas tendem a piorar no inverno ou em mudanças bruscas de estação. A falta de luz solar e o ar seco dos ambientes fechados costumam agravar a condição da pele.

Eu mesmo vivia esse padrão: melhorava no verão, mas os sintomas retornavam com mais intensidade no inverno. (Fonte: Sociedade Brasileira de Dermatologia)

A doença se manifesta de várias formas. A Psoríase em Placas é a mais comum, formando lesões arredondadas nos cotovelos, joelhos e couro cabeludo (foi exatamente a que eu tive).

Há também a Psoríase Gotada (em forma de gotas, comum após infecções de garganta) e a Psoríase Pustulosa (com bolhas de pus).

Opções de tratamento: Das pomadas aos medicamentos biológicos

O tratamento da psoríase é dividido, basicamente, em três frentes: uso de pomadas tópicas, fototerapia e medicamentos orais ou injetáveis. A escolha depende da gravidade e da extensão das lesões.

No tratamento tópico, usamos derivados de Vitamina D e imunomoduladores, não apenas corticoides.

No início, eu tinha muito medo dos efeitos colaterais dos corticoides, mas o médico me explicou que o tratamento moderno da psoríase tenta minimizar o uso contínuo deles, optando por terapias combinadas com um perfil de segurança adequado.

A Fototerapia é um método onde a pele é exposta a uma luz ultravioleta específica (UVB de banda estreita). Esse comprimento de onda tem ação anti-inflamatória clínica e é uma opção frequentemente considerada, inclusive para gestantes e crianças, sob avaliação médica.

O tratamento pode ser localizado (só nas mãos ou pés) ou sistêmico (onde você entra em uma cabine de luz).

Para os casos mais extensos que não respondem bem a outras abordagens, podem ser indicados medicamentos orais ou os Medicamentos Biológicos (Biologics). Os biológicos são injeções desenvolvidas biotecnologicamente que atuam no sistema imunológico para auxiliar no bloqueio da inflamação.

Os resultados tendem a ser promissores para a maioria dos pacientes, mas o acesso ainda pode ser restrito devido aos critérios do SUS e dos planos de saúde. (Fonte: Ministério da Saúde)

Hábitos que ajudam no controle: Como evitar o agravamento da Psoríase

Embora seja uma doença crônica, o acompanhamento adequado permite buscar uma boa qualidade de vida. Na minha experiência, a rotina de cuidados é um complemento fundamental aos tratamentos médicos.

Um dos principais fatores de atenção para o paciente é a lesão física na pele (Fenômeno de Koebner).

Isso não inclui apenas cortes profundos, mas o atrito diário. Áreas que sofrem atrito, como cotovelos apoiados na mesa ou canelas, são alvos fáceis da psoríase.

Eu tive que parar completamente com o hábito de esfregar a pele com buchas no banho. Hoje, apenas seco o corpo dando leves “batidinhas” com a toalha.

A hidratação da pele precisa ser uma prioridade. Uma recomendação frequente é aplicar um hidratante adequado dentro de 3 minutos após sair do banho.

O objetivo é auxiliar a pele a reter a umidade antes que evapore. Criei o hábito de reaplicar o hidratante também no meio da manhã.

Cuidar do ambiente também pode favorecer a pele: mantenha a temperatura em torno de 18°C a 20°C e a umidade perto de 50%.

No inverno, quando usamos aquecedores ou o ar fica muito seco, ter um umidificador no quarto pode auxiliar bastante. (Fonte: Psoríase Brasil)

Por fim, não subestime o estresse. Picos de estresse no trabalho ou fadiga extrema são conhecidos como potenciais gatilhos para processos inflamatórios.

Quando passei por uma fase de alta pressão na empresa, notei que minhas lesões se espalharam. Dormir bem e tentar manter uma rotina equilibrada é parte importante do manejo clínico.

Considerações finais: Fique de olho nas doenças associadas

É importante saber que a psoríase pode estar associada a outras condições. Há relatos de um risco aumentado para o desenvolvimento de hipertensão e diabetes, além de alterações no colesterol e obesidade.

Mas um dos alertas principais vai para a Artrite Psoriásica, que pode atingir de 10% a 30% dos pacientes. É um processo inflamatório que atinge as articulações, podendo deixar os dedos das mãos ou dos pés inchados.

Se você sentir as articulações doloridas ou rígidas pela manhã, é aconselhável procurar avaliação médica, pois o diagnóstico precoce ajuda a prevenir possíveis danos articulares mais severos.

Conviver com a psoríase pode ser desafiador. Mas, por experiência própria, com o acompanhamento médico contínuo e adaptações nos hábitos diários, é possível alcançar um controle muito favorável da condição.

O mais importante é: não se isole. A psoríase não é contagiosa e a medicina atual dispõe de recursos terapêuticos contínuos para auxiliar no seu manejo.

Vale lembrar que este texto compartilha apenas a minha experiência e não serve como aconselhamento médico profissional. Se você apresentar qualquer sintoma, não deixe de visitar um hospital e consultar um médico de confiança.

Referências e Fontes de Autoridade

  • Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) O que é: É a principal autoridade médica em dermatologia no Brasil. A instituição dita as diretrizes clínicas para o diagnóstico da psoríase, esclarece as causas imunológicas, os tipos de lesões e a importância do acompanhamento médico adequado, além de promover campanhas de conscientização contra o preconceito.
  • Ministério da Saúde (CONITEC – SUS) O que é: O órgão federal responsável pela saúde pública no Brasil. A CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) elabora os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da psoríase, regulamentando a distribuição e os critérios rigorosos para o uso de fototerapia e medicamentos biológicos na rede pública.

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Este conteúdo é baseado na experiência pessoal do autor e é fornecido exclusivamente para fins informativos e educativos. Ele não tem a intenção de substituir, sob nenhuma hipótese, o conselho, diagnóstico ou tratamento médico profissional. Sempre busque a orientação do seu médico ou de outro profissional de saúde qualificado para esclarecer qualquer dúvida que possa ter em relação a uma condição médica. A confiança em qualquer informação fornecida neste post é de sua inteira e exclusiva responsabilidade.

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